quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mudanças digitais


Lembro bem do dia em que acessei a Internet pela primeira vez. O ano era 1993 e a conexão ainda discada. Na tela em branco, apenas texto. Três anos depois, os chats dominavam meu computador durante a madrugada. Aí, veio o e-mail, o Skype, o MSN, o Orkut e as ferramentas facilitavam cada vez mais o nosso dia-a-dia. Contatar um amigo distante já não era mais problema. As barreiras físicas eram derrubadas a cada novo recurso digital que surgia.

Em 2002, recém-formada em Jornalismo, fui trabalhar na RBS, uma afiliada da Globo no Rio Grande do Sul. Era a primeira vez que trabalhava com uma Intranet e pude perceber in loco como a Internet mudava não só a maneira como nos comunicávamos, mas também como trabalhávamos. Em vez de levantar da cadeira para trocar uma idéia com o chefe, atravessando a redação, bastava abrir o comunicador instantâneo na tela do meu computador e enviar uma mensagem para ele. O recado seria respondido segundos depois. Sem saber, eu já estava completamente imersa na Web 1.0. O fax da redação foi sendo relegado a segundo plano aos poucos.

Acredito que a Web 2.0 trouxe mais facilidades para o internauta. Além disso, a comunicação também segue numa transformação dinâmica. A Web 1.0 apontou o caminho e a Web 2.0 aperfeiçoa o seu legado. A interatividade é a grande sacada que surge da transposição de uma pela outra.

Nos últimos cinco anos, criei e administro um blog, comunidades no Orkut, desenvolvo sites utilizando o Joomla! (porque é fácil e de graça), faço vídeos e fotos com a minha câmera digital e posto tudo na Internet. Também criei dois blogs em conjunto com meus alunos de Jornalismo na universidade e cabe a eles administrar o conteúdo, facilitando assim o conhecimento no âmbito da cultura digital.

A Web 2.0 só foi possível graças a uma série de fatores que proporcionassem um acesso maior do usuário com os computadores. E isso é bastante perceptível no ambiente universitário. Nos meus tempos de faculdade, ter um laptop era uma raridade. Hoje, meus alunos substituíram por conta própria seus cadernos por notebooks.

Creio que o maior desafio é preparar novos profissionais para esse mercado. Fazer com que o aluno entenda que a Internet não é apenas uma ferramenta para a troca de mensagens com os amigos no MSN, mas um ambiente onde a comunicação pode se dar de forma mais democrática e com mais responsabilidade. É isso o que a Web 2.0 nos mostra. Na Web, o usuário é quem controla tudo. Pode decidir se vai ler ou não a nossa matéria, clicar na foto, enviar um comentário se a reportagem despertou algum interesse, isto é, o usuário tem o poder de decisão na ponta dos dedos.

A partir disso, será fundamental despertar nesses novos profissionais, e naqueles que já habitam o mercado há algum tempo, um processo criativo mais dinâmico. Novas maneiras de contar um fato, novas formas de utilizar os mecanismos de interatividade, novas mudanças de paradigmas. O usuário da Web não é apenas mais um telespectador postado diante da TV. Ele quer ler, ouvir, olhar, apontar erros e acertos daquilo que nós, jornalistas, estamos fazendo na Web.

3 comentários:

Paulo Henrique Nobre disse...

Olá Cristina!
Muito legal o seu texto sobre a Web 2! Parabéns! E é verdade: os avanços tecnológicos podem até nos surpreender e, por vezes, nos assustar. Mas as possibilidades comunicativas dessa mídia - a Internet - são amplas e quem ficar para trás, acabará, fatalmente, perdendo o bonde da história.

Curso Jornalismo Online segunda edição disse...

Oi Cristina,
Você tocou num ponto muito importante: a formação dos novos profissionais da comunicação em ambiente digital. Este é um dilema que cabe a todos nós tentar resolver porque as empresas estão preocupadas em sobreviver nesta complicada transição para o modelo de negocios digital e a universidade ainda não acordou para o fato de que não basta ensinar HTML formar um jornalista online. Há uma demanda social importantissima que ainda é pouco valorizada pelas faculdades. Eu dou aula de jornalismo online e o maior problema dos alunos não é com a tecnologia mas com as pessoas reais. Como interagir numa comunidade sem adotar a postura olimpica tradicional dos reporteres de televisão numa favela. Bom , temos muito que conversar. Fica para outra.
Abraço
Castilho

Cris Bonfim disse...

Cristina,
Bem interessante o seu texto. Gostaria de dar uma olhada no blog feito em parceria com os seus alunos. Poderia me passar o link?
Obrigada.